Blog do Marcial Lima - Voz e Vez: Invasores são retirados de terreno pela terceira vez no Anil

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Invasores são retirados de terreno pela terceira vez no Anil



Pela terceira vez, foi realizada a reintegração de posse em um terreno localizado na Avenida Santos Dumont, no Anil. Diferentemente da ação anterior, que aconteceu em 2008, quando os moradores reagiram ateando fogo em uma barricada feita com pedaços de madeira, desta vez as famílias agiram de forma pacífica na manhã de ontem e deixaram o local.

A Construtora Presidente Ltda., de propriedade do empresário Carlos Fernandes, impetrou ação na Justiça para reaver o terreno, que tem cerca de 2 mil metros quadrados e não possui nenhum tipo de ocupação, além das casas de taipa feita pelos invasores. Cerca de 150 pessoas ocupavam o local há quatro meses e 50 famílias já haviam construído pequenas casas para demarcar o terreno.

Para retirar as famílias do espaço, cerca de 70 policiais a pé e em conjuntos de cavalaria deram apoio aos trabalhadores contratados para derrubar as casas de taipa. Segundo o comandante da ação, o capitão Salles Neto, da Polícia Militar, as famílias tiveram duas horas para retirar seus pertences do local antes da passagem do trator.

"Chegamos aqui por volta das 7h. Viemos para manter a integridade das pessoas envolvidas nesse processo, visto o histórico de resistência em outras reintegrações de posse nesse lugar", disse o capitão Salles Neto.

Com a ordem para retirar os pertences, muitos moradores aproveitaram para levar também portas, janelas e telhas das casas, enquanto as crianças carregavam o que podiam com o auxílio de carrinhos de mão, sob a supervisão dos policiais.

Entre os invasores, a dona de casa Rosina dos Santos Pereira, de 23 anos, telefonava para amigos para conseguir um local para dormir com os filhos na noite de ontem. "Eu vim do interior para procurar emprego, mas não consegui até agora. Não tenho casa aqui em São Luís e nem parente para me ajudar. Não sei o que vai ser da gente agora", afirmou.

Entre os ocupantes do terreno, também havia muita gente que construiu casas de taipa no local com a esperança de não pagar mais aluguel e pessoas que já têm casas em outros bairros. A dona de casa Rosângela Souza disse que ocupou o terreno com a intenção de construir uma casa maior do que a que já tem no Santo Antônio. "A gente sempre quer viver melhor e esse terreno todo sempre ficou abandonado", justificou-se.

Muitos ocupantes reclamaram dos valores, porque perderam dinheiro para se manter no local, além do que foi gasto na construção dos barracos. Eles pagavam R$ 45,00 pela inscrição na lista de moradores do terreno e R$ 50,00 de mensalidade para a Associação Comunitária Santos Dumont, sob a alegação de custear os serviços do advogado que defendia a posse do terreno para as famílias.