Símbolo da emancipação feminina, o Dia Internacional da Mulher (8 de Março), foi instituído em 1911. A data foi escolhida pela UNESCO (Organização Mundial para a Educação, Ciência e Cultura) para lembrar um protesto organizado por centenas de operárias que reivindicavam sobre as más condições de trabalho e reduzidos salários.
Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, vamos conhecer algumas histórias de mulheres que se destacaram na política, cultura e produção intelectual do Maranhão.
Ana Jansen: uma mulher à frente do seu tempo
Ana Jansen escandalizou a sociedade de seu tempo pela conduta nada convencional para uma época de mulheres extremamente recatadas. O escritor Nascimento Morais Filho afirma que com Donana a Mulher Maranhense toma consciência de si, do que pode e do que é capaz, deixando de ser apenas a ‘Senhora Prendada’ dos salões, que a Escola educou, não para a vida, e sim para o Casamento. Donana teve filhas antes do casamento e depois de viúva, e dizia que eram eles frutos de suas “fragilidades”.
Apesar das fragilidades, Ana Jansen era uma personalidade voluntariosa, altiva, extremada e prepotente. Impô-se sobre a classe masculina que dominava o mundo dos negócios e da política no século XVIII. Teve amigos incondicionais e inimigos irreconciliáveis. Entre estes, o mais detestado foi Cândido Mendes, que sofreu com a ofensiva da imprensa e chegou a ser agredido fisicamente.
Outro grande inimigo de D. Ana Jansen era o jornalista Sotero dos Reis, antigo aliado que ela demitiu da direção do Liceu Maranhense, colégio tradicional da capital. E, não satisfeita, interrompeu a circulação de seu jornal A revista, alugando e a seguir comprando o imóvel que funcionava a redação e oficinas desse periódico. Sendo uma mulher à frente do seu tempo, Ana multiplicou a herança deixada pelo marido e se fez uma das pessoas mais ricas do Maranhão, senhora de um Império Econômico.
Sua presença foi marcante nas lutas políticas e na vida administrativa da Província. Atuou no comércio da venda de escravos e dominou por muito tempo a exploração da vinda de água. São muitas as histórias que retratam Donana como uma mulher extremamente má.
O professor Jomar Moraes, explica que as maldades lendárias de Ana contra seus escravos é fruto de uma vingança da elite daquele tempo. A razão dessa vingança seria o poder conquistado por ela graças ao dinheiro e ao temperamento impetuoso e determinado.
Maria Firmina dos Reis: personalidade literária e educacional
Autora de Úrsula, A Escrava, Contos à Beira-mar e um Auto de bumba-meu-boi, Maria Firmina dos Reis (1825-1917), foi a única romancista do século XIX.
Ousou também no campo da educação, formando a primeira turma mista em escola pública maranhense. Em 1847, é a única aprovada num concurso estadual para a Cadeira de Instrução Primária, na Vila de Guimarães.
Na sua velhice, em 1880, conquistou o primeiro lugar na História da Educação Brasileira. No Maranhão, ganhou o título de “Mestra Régia”, como a chamam os vimaranenses.
Apolônia Pinto: talento dramático maranhense
Primeira mulher a subir o palco como atriz, Apolônia Pinto, nasceu no Teatro São Luís (hoje Arthur Azevedo), a 21 de junho de 1854, e nele estreou – em 1866 – na peça “A Cigana de Paris”.
De talento dramático surpreendente Apolônia foi uma das maiores artistas do teatro nacional do seu tempo. Faleceu no Retiro dos Artistas (Rio de Janeiro), em 24 de novembro de 1937.
Maria Aragão: uma mulher guerreira e revolucionária apaixonada
Maria Aragão fez história como líder do Partido Comunista do Brasil (PCB) no Maranhão. Como médica enfrentou as oligarquias políticas em pleno regime militar e sofreu as perseguições promovidas pela ditadura.
Terminou a sua trajetória filiada ao Partido Democrático Trabalhista (PDT). Ela tinha uma generosidade tão difundida quanto a sua audácia diante dos poderosos. Maria mantinha igual postura para entrar e sair da prisão, de um debate, de uma campanha bem sucedida, ou fracassada. Trazia sempre consigo a esperança.
Na sua infância saiu do Engenho Central para São Luís, com seis irmãos. O pai vivia a itinerância de guarda-fios dos Telégrafos, enquanto sua mãe, analfabeta, colocava a educação dos filhos acima da fome. Maria foi alimentada à base de mingau de farinha seca, mas apesar das dificuldades, concluiu o curso Normal.
O câncer levou a mãe e Maria a se mudarem para o Rio de janeiro. Sozinha na cidade grande, pois, a mãe perdera a batalha para o câncer, Maria decidiu então ficar para estudar na Escola de Medicina e Cirurgia, mas seu curso foi interrompido no 4º ano, devido à fome e ao trabalho árduo. Anos depois se formou em Pediatria e também chorou a morte da primeira filha, Clarice, aos dois anos, no Rio Grande do Sul, onde conseguiu o primeiro emprego como médica.
Maria também tinha uma estreita relação com a arte, e, sobretudo, respeito e admiração pelos músicos. Adoeceu gravemente, e faleceu. Durante o trajeto ao cemitério, em 23 de julho de 1991, todos cantaram as suas músicas prediletas.
Como homenagem a uma das mais ilustres filhas do Maranhão e uma das maiores expressões feminina maranhense do século passado foi construído o Memorial Maria Aragão, localizado na praça de mesmo nome, e em frente ao rio Anil. O memorial é palco de apresentações culturais e artísticas de todo o país, em especial do Maranhão.
Roseana Sarney: primeira governadora do país
Ludovicense nascida a 1 de junho de 1953, Roseana Macieira Sarney Murad ou simplesmente Rosena Sarney entrou para a história como a primeira mulher brasileira a ser eleita e reeleita governadora, em 1994 e 1998, foi também a Deputada Federal mais votada do Maranhão, em 1990.
É socióloga, formada pela Universidade de Brasília (UNB). Estudou na Escola Normal do Maranhão, em São Luís, no Sacré-Coeur de Maria e no Colégio Pré-Universitário, em Brasília. Atualmente exerce mandato de senadora , filiada ao PFL, pelo Maranhão.
Terezinha Rêgo: anos dedicados à flora medicinal maranhense
O curso foi concluído em 1957 passando a trabalhar, inicialmente, nas invasões e periferias de São Luís. Foi nesse período que nasceu a sua preocupação com as pessoas que vinham do interior acostumadas a tratar doenças com ervas e que na capital não encontravam as mesmas plantas.
A fitoterapeuta pesquisa há mais de 45 anos a flora medicinal maranhense e vem dando ao longo desses anos contribuição valiosa ao estudo das plantas medicinais, inclusive muitas já sendo produzidas em hortas comunitárias para fabricação de medicamentos largamente utilizados na sociedade maranhense, especialmente nas comunidades quilombolas.
Terezinha Rêgo é uma profissional com inúmeras homenagens e prêmios nacionais e internacionais, em razão dos seus grandes trabalhos e pesquisas científicas. Recentemente, a doutora representou o Maranhão na Câmara de Comércio Brasil/China, onde recebeu homenagem e reconhecimento pelo envio de três medicamentos produzidos à base de ervas para o combate à pneumonia asiática na China.
Hoje, Terezinha Rêgo coordena o Herbário Ático Seabra, na UFMA, visando à melhoria da qualidade de vida de diversas comunidades. Neste local, a fitoterapeuta presta consultas e cultiva uma ampla variedade da flora local que resultam, em 59 diferentes tipos de medicamentos fitoterápicos. Estes são distribuídos gratuitamente à população carente e vendidos a preços modestos, àqueles que podem pagar.
Um dos mais recentes trabalhos da fitoterapeuta merece atenção especial, por se tratar de um programa de atendimento aos soropositivos, em que 26 pacientes estão sendo tratados com fitoterápicos, que ajudam no combate de doenças invasoras, muito comum nestes pacientes.