Blog do Marcial Lima - Voz e Vez: Polícia Federal investiga extração ilegal de madeira na reserva do Gurupi

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Polícia Federal investiga extração ilegal de madeira na reserva do Gurupi


A Polícia Federal cumpriu na madrugada de ontem, no estado do Pará, 29 mandados de busca e apreensão, em operação denominada Dríade, em quatro cidades para esclarecer a atuação de grupos empresariais suspeitos de realizar a extração ilegal de madeira na região da Reserva Biológica do Gurupi, no município de Carutapera, região oeste do Maranhão. Segundo a PF, em apenas uma das fiscalizações, constatou-se que as empresas devastaram uma área equivalente a 2.600 campos de futebol, com a utilização de documentos expedidos pelas autoridades ambientais.

"Toda a madeira retirada do Maranhão era exportada para o exterior. O processo de extração funcionava da seguinte forma: a madeira era retirada ilegalmente da reserva ecológica, levada para áreas em que o grupo tinha autorização para o corte e manuseio e, munidos com as guias de transporte - bem como outros documentos falsos, que os criminosos diziam serem expedidos pelas autoridades estaduais ambientais -, eles conseguiam, digamos, ‘esquentar’ essa origem ilegal da madeira", explicou o superintendente da PF-MA, Cristiano Sampaio.

O trabalho da polícia listou como alvos as cidades paraenses de Paragominas, Dom Eliseu, Tomé-Açu e Pacajá e contou com apoio de uma equipe do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O objetivo, segundo a Superintendência Regional da PF no Maranhão (SRPF-MA), era colher mais informações sobre a participação de cada uma das pessoas físicas e jurídicas envolvidas, cujos nomes e razões sociais são preservados. "São empresários que trabalham com madeira nobre", acrescentou o superintendente da PF-MA.

Investigação - As investigações acerca da extração ilegal de madeira da Reserva Biológica do Gurupi foram desencadeadas com base na prisão de alguns madeireiros, em setembro de 2011. Na época, de acordo com o delegado Mário Fanton, responsável pelo caso, descobriu-se que os trabalhadores haviam sido contratados por um conglomerado de 14 empresas associadas. "Constatamos que a madeira saía do Brasil na forma de piso e era comercializada nos EUA. O objetivo, agora, inclusive, é periciar o material no exterior", explicou o presidente do inquérito policial federal.

Para arrecadar o máximo de documentos possíveis, que possam ajudar a PF a evidenciar ainda mais o crime - já comprovado pericialmente -, foi destacado para a missão um efetivo de 90 policiais federais, lotados nas superintendências do Pará, Maranhão, São Paulo e Distrito Federal. Até o fechamento desta edição, segundo a polícia, nenhuma pessoa havia sido presa. "Como dissemos, nosso objetivo era buscar e apreender documentos. Estes, sim, vão possibilitar futuramente as prisões", disse Mário Fanton.

Até onde foi adiantado pela PF, o prejuízo à União, na ocasião em que foi constatada a referida devastação gigantesca, apontam danos da ordem de R$ 50 milhões. "De imediato, lavramos o auto de infração no valor de quase R$ 31 milhões, aplicado pelo próprio Ibama. A divulgação desta operação, ainda não concluída, se fez necessária para que a conclusão do inquérito seja viável. Na próxima etapa, esperamos divulgar a prisão dos responsáveis", concluiu o superintendente da PF-MA, Cristiano Sampaio, em entrevista coletiva, na sede da SRPF-MA, no bairro Cohama.