*do blog do Daniel Matos
Abril de 2013 terminou ontem com 99 mortes violentas na região metropolitana de São Luís, entre homicídios dolosos, lesões corporais seguidas de morte, latrocínios, assassinatos em presídios e em confrontos com a polícia. Houve ainda cinco crimes a definir. Foi, disparado, o mês mais sangrento da história da capital e municípios limítrofes, com média superior a três vidas ceifadas por dia pelo crime. Por ser tão assustador, o saldo de mortes violentas registrado em abril obriga as autoridades a reformular imediatamente os métodos e práticas de enfrentamento à bandidagem.
A violência deu as caras de forma aterrorizante já no primeiro fim de semana de abril. Foram 18 assassinatos, inclusive uma chacina, na noite do dia 5, que vitimou um homem e duas mulheres na Vila Isabel Cafeteira, bairro vizinho à Cohab, considerado um dos principais focos do tráfico de drogas em São Luís.
A propósito, a grande maioria dos homicídios registrados na Ilha está associada, segundo as autoridades de segurança pública, à guerra do tráfico. O acerto de contas entre traficantes foi responsável por assassinatos em dezenas de bairros e até no Complexo Penitenciário de Pedrinhas. Em relação às mortes violentas no sistema prisional, o caso que mais chamou atenção mês passado foi a execução coletiva de cinco pessoas envolvidas com o comércio de entorpecentes na Vila Isabel Cafeteira, crime ocorrido na madrugada do dia 10, na Central de Custória de Presos de Justiça de Pedrinhas. Detalhe: entre as vítimas estavam três irmãos.
A onda de mortes provocada pela guerra do tráfico levou o secretário de Segurança Pública, Aluísio Mendes, a classificar como “artificial” a sensação de insegurança dominante na região metropolitana. Na concepção de Aluísio, as vítimas da carnificina, em sua maioria, fazem parte de um grupo específico, muito mais exposto à violência que os demais cidadãos por estar envolvido com uma atividade ilícita, que gera acirrada disputa, em razão do ganho financeiro que rende a quem dela sobrevive.
De fato, os números corroboram, em primeira análise, a tese do secretário de Segurança Pública. Mas não se deve esquecer que o tráfico está na raiz de diversos outros crimes, como assaltos e sequestros-relâmpago, cujos autores os cometem também para ter meios de adquirir entorpecentes. E, nesse caso, todos os cidadãos são vítimas em potencial.
A violência desenfreada só será contida com o emprego máximo da força policial disponível e, sobretudo, com o reforço do efetivo das polícias Civil e Militar e do aparato usado na repressão à bandidagem. Do contrário, há o risco de o recorde sangrento ser batido em pouco tempo.