No lugar, ofertam planos coletivos, feitos por intermédio de empresas ou sindicatos.
Além disso, a empresa pode rescindir os contratos unilateralmente após um ano e recusar clientes -por exemplo, idosos e doentes. Isso é proibido nos individuais.
Há dez anos, pouco mais de 50% dos usuários tinham planos coletivos. Hoje, são mais de 77%, uma parcela recorde, segundo a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).
Bradesco e SulAmérica Seguros, por exemplo, não oferecem mais planos individuais. Dentre as que vendem, muitas têm a carteira de coletivos muito superior.
Na Unimed Paulistana, por exemplo, 83% dos planos são coletivos. A Intermédica tem 96% de clientes em coletivos.
Embora não haja irregularidade nessa prática pelas operadoras de planos de saúde, órgãos de defesa do consumidor alertam que, se a ANS não intervier na questão, os idosos e doentes serão progressivamente excluídos do setor de saúde privado.
O diretor-presidente da ANS, André Longo, afirmou à Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara no último mês que não tem como "obrigar as operadoras a venderem plano individual", porque "a legislação não obriga".
"Por que a operadora não quer vender o plano individual? Porque no longo prazo as carteiras individuais tendem ao prejuízo", disse ele.
Há interpretações de membros do governo, porém, de que a lei, ao determinar que as operadoras ofereçam seus serviços a todos, precisaria vender planos individuais.
corretores
Sem saber que falava com a imprensa, uma corretora de planos de saúde informou que só uma operadora oferecia o plano individual em Brasília. Em São Paulo, três corretores afirmaram que, dentre os planos maiores, só Amil, Unimed Paulistana e Golden Cross ofereciam individuais.
Para participar do plano coletivo é preciso estar ligado a uma empresa, sindicato ou associação. Mas mesmo quem não está nessa situação pode fazê-lo, dizem corretores.
Dois deles propuseram à reportagem a adesão a um plano coletivo por meio do Simpi-SP (Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de SP). Segundo eles, qualquer um poderia se filiar ao sindicato, mediante o pagamento de uma taxa anual de R$ 30. Depois, bastava só pedir um plano coletivo. A prática é irregular, diz a ANS.